terça-feira, outubro 19

Bienal daqui e d'acolá


Consumido pela arte. Essa é a expressão que encontro para dar contornos ao meu 'estado d'alma' após algumas horas circulando pela 29ª Bienal de São Paulo. 


Ao me colocar enquanto 'sujeito consumido', deixo a arte (ou aquilo que chamam arte, como bem esclareceu recentemente Jorge Coli) como o grande ventilador das identidades contemporâneas, espalhando, sem sentido transparente, recortes do tempo-espaço pelo Pavilhão da Bienal - fixados a partir de uma visão e uma intenção do artista que assim se nomeia. 

São centenas de textos - pensando a arte como o 'tecido' de Roland Barthes - que geram associações descontínuas e acessam lugares da memória, da 'bagagem cultural', do inconsciente individual e coletivo, daquilo que não sabemos ao certo...

A sensação do 'já visto' me persegue, o que só reafirma a contínua apropriação dos códigos artísticos erigidos ao logo do tempo! É um canibalismo que não toca não só a carne, mas também a aura. 


Foram tantos os projetos que me chamaram a atenção que, enquanto circulava pelos corredores sempre cheios (porque arte não só consome mas também é consumida) fui tomando nota no celular dos artistas que, sob um ponto de vista deveras pessoal, conseguiram atravessar a longa estrada, de tráfego intenso, que vai dos olhos até a mente, ao coração. cada obra é um hiperlink: centros difusos, acesso irrestrito.

Alessandra Sanguinetti, Chantal Akerman, Qiu Anxiong, Simon Fujiwara, Gil Vicente, Antonio Manuel, Raqs Media Collective, Marcelo Silveira, Nelson Leirner, Ana Maria Maiolino, Cinthia MarcelleJonathan de Andrade, Carlos Vergara, Superstudio, Archigram Group, Sandra Gamarra, Artur Barrio, Efraim Almeida, Miguel Rio Branco, Alfredo Jaar, Guy de Cointet, Davi Curi, Sara Ramo, Marilá Dardot e Flávio Moraes.