sexta-feira, dezembro 29

whitman 07


"Amar a terra, o Sol e os animais, desprezar as riquezas, dar esmolas a toda pessoa que pedir, defender o idiota e o louco, dedicar sua renda e trabalho aos outros, odiar os tiranos, nao discutir a respeito de Deus, ter paciencia e indulgencia para com as pessoas, nao tirar o chapeu para nada conhecido ou desconhecido nem para qualquer homem ou grupo de homens, andar livremente com pessoas extremamente ignorantes, com os jovens e com as maes de familia, ler estas folhas ao ar livre em todas as estaçoes de todos os anos de sua vida, reexaminar tudo o que lhe disseram na escola ou na igreja ou em qualquer livro, descartar seja o que for que insulte sua propria alma, e sua propria carne sera um grande poema e tera a mais rica fluencia nao so em suas proprias palavras, mas nas linhas silenciosas de seus labios e rosto, entre as pestanas dos seus olhos e em todos os movimentos e juntas de seu corpo".
Walt Whitman, poeta norte-americano: extraído do prefácio de Folhas de Relva (1855).

um [falso] haikai ao dia...

joão pessoa: a cidade
trash glam na estação
subindo e descendo.

um [falso] haikai ao dia...

ver através
pavilhão auricular
sentidos em uníssono.

terça-feira, dezembro 5

artes visuais: a bossa!


no dia de dona Ceição, logo a tardinha, uma viagem
pela história da arte brasileira através dos salões.

segunda-feira, dezembro 4

Fest Aruanda 06: audiovisual em jp!

5 DE DEZEMBRO
08h30min: Auditório da Reitoria da UFPB
SEMINÁRIO: O Documentário no Cinema Brasileiro
Mesa de abertura: Rômulo Polari (Reitor da UFPB), Lúcio Flávio Vasconcelos (diretor do CCHLA), Lúcio Vilar (Chefe do Decom-Tur), Zonda Bez (ABD-PB), Walter Galvão (secretário de Educação do município), Olavo Mendes (Coordenador do Curso de Comunicação), e Maria do Rosário Caetano (curadora do evento)
Exibição de “Cinema Paraibano: 20 anos”, de Manfredo Caldas
Mesa I: Tradição e transformação do documentário brasileiro
Palestrante: Sílvio Da-Rin Moderador: Maria do Rosário Caetano
Debatedores: Zonda Bez (ABD-PB), Rômulo Azevedo (UEPB) e Bertrand Lira (UFPB)

19 horas: Tropical Hotel Tambaú
SOLENIDADE DE ABERTURA
Mesa: Reitor Rômulo Polari, Lúcio Flávio Vasconcelos, Ricardo Coutinho (Prefeito de João Pessoa), Lúcio Vilar, Linduarte Noronha (diretor de Aruanda) e Maria do Rosário Caetano (em nome dos convidados do evento)
Homenageada: Elizabeth Teixeira por sua participação na história do Cinema Brasileiro
Lançamento do DVD “Álbuns da Memória”, de Elisa Cabral e Bertrand Lira
Exibição especial do longa-metragem “O fim e o princípio”, de Eduardo Coutinho

6 DE DEZEMBRO
08h30min: Auditório da Reitoria da UFPB
SEMINÁRIO: O Documentário no Cinema Brasileiro
Exibição de Aruanda, de Linduarte NoronhaMesa II: A importância de Aruanda para o documentário brasileiro
Expositores: Jean-Claude Bernardet, Sílvio Da-Rin, Carlos Aranha, Wills Leal e Linduarte NoronhaModerador: João Batista de Brito

18 horas: Tropical Hotel Tambaú
Lançamento do livro “Espelho Partido: tradição e transformação do documentário”, de Silvio Da-Rin
19 horas: Exibição da MOSTRA COMPETITIVA DE VÍDEO - Bloco I

um [falso] haikai ao dia...

água morno dia
noite fresca flama
corpo impulsionado.

segunda-feira, novembro 27

Pode entrar? Pode!!

Tintin Cineclube
Cine-Teatro Lima Penante
Av. João Machado, 67 – Centro: João Pessoa, PB


29/11 quarta 20h ASSACINE ESPECIAL Grátis

Pode Entrar, de Ana Isaura, Eduardo Chaves e Chiquinho Sales [PB, doc, 28min, 2006]

Oito adolescentes da cidade de João Pessoa conhecem e mostram a cidade através de uma viagem aos cartões postais. Produzido com recursos da Funjope através do edital "a cidade e o tempo", é o primeiro lançamento de uma série sobre a cidade.

> debate com a equipe do documentário

> festa de lançamento com discotecagem até 1h.

quarta-feira, novembro 22

um [falso] haikai ao dia...

matinal brisa
ventos solares
morno sono noturno.

Barra 68: sem perder a ternura!!!

Tintin Cineclube programação semanal
Cine-Teatro Lima Penante Av. João Machado, 67 – Centro
22/11 quarta 19h30 MOSTRA ITAÚ CULTURAL Grátis
Barra 68, de Valdimir Carvalho [DF, doc, 80 min, 2000]
A luta de Darcy Ribeiro no início dos anos 60 para criar e implantar a Universidade Brasília. E as repetidas agressões sofridas pela UNB, desde o golpe militar de 64 até os acontecimentos de 1968, quando foram detidos numa quadra de esportes no campus, cerca de 500 estudantes.

terça-feira, novembro 7

um [falso] haikai ao dia...

amores lunares
corações fibrosos
amálgama de almas.

Tintin Cineclube>> amanhã!



Cine-Teatro Lima Penante
Av. João Machado, 67
Centro - João Pessoa, PB



08/11 quarta 19h30 Grátis
CIRCUITO CINECLUBISTA DE ESTRÉIAS #3
Curadoria PB
Vesanítero, de Breno César
[Vídeo-Dança, 5 min., 2006, PB]
No preto e branco, ruínas e movimentos: estranhos seres reais.
Inspirado em espetáculo de dança a partir da 'História da Loucura', de Michel Foucault.

Entretecidas, de Elisa Cabral
[Doc, 4 min, 2005, PB]
Uma expressão poética sobre o trabalho milenar das tecelãs.

DOCTV retrô
Acidente, de Cão Guimarães
[Doc, 52 min, 2005, MG]
Cada palavra do poema é um nome de cidade e cada cidade um ponto do percurso. Num movimento de imersão e submersão [foto], o filme desliza por estes lugares através de duas camadas narrativas.

terça-feira, outubro 31

Branca de neve killer


Liuba de Medeiros, vista anteriormente em O cão sedento, assume o comando em O teste [2 min., sem som], produção-experimento em 16mm de Bruno de Sales: estréia amanhã na festa Ano I do Ponto de Cultura Urbe Audiovisual. A partir das 20h30.

quinta-feira, outubro 26

imagem do finde

Fantasia de compensação>>>www.rodrigobraga.com.br

Dez regras de ouro da lomografia

1. Leva a tua LOMO onde quer que vás
2. Use-a a qualquer hora do dia ou da noite
3. A lomografia não interfere no teu modo de vida, torna-se parte dele
4. Aproxima-te o mais possível do objeto a fotografar, se assim o desejares
5. Não penses... fotografa!
6. Seja rápido
7. Não precisas de saber antecipadamente o que fotografaste
8. Nem depois
9. Fotografe de qualquer ângulo
10. Não te preocupes com as regras.

um [falso] haikai ao dia...

manhã nuvem
tarde passeio
noite invenção.

Existe política além do voto! Manifesto

"Onde está o Nariz de palhaço do trabalhador?SEU CANDIDATO É A FAVOR OU CONTRA O PASSE LIVRE? O SEU SALÁRIO É DE R$ 350 ENQUANTO OS DEPUTADOS GANHAM 12 MIL PARA FAZER AS LEIS QUE NEM SEMPRE TE BENEFICIAM. SABE QUE É DO SEU DINHEIRO QUE SURGIU O CAIXA DOIS? VOCÊ DÁ O SEU PODER PRO CARA DE GRAVATA ENQUANTO VOCÊ FICA CADA VEZ MAIS FRACO. O QUE VOCÊ FAZ POR SUA PRÓPRIA EXISTÊNCIA? APOIA A CORRUPÇÃO OU O QUE ROUBA MENOS? APOE AS SUAS PRÓPRIAS IDÉIAS, FAÇA. Ninguém pode falar por você, porque a voz é sua! SE VOCÊ NÃO SABE COMO FAZER POLÍTICA. VEJA QUE NO SEU DIA – A – DIA A FORMA QUE VOCÊ TRATA A SUA ESPOSA OU OS SEUS FILHOS JÁ É UMA FORMA DE FAZER POLÍTICA! SE VOCÊ VÊ UMA INJUSTIÇA NÃO FIQUE CALADO! A MAIOR VIOLÊNCIA QUE VOCÊ SOFRE É DO ESTADO QUE DÁ O SEU DINHEIRO A VÁRIOS MILIONÁRIOS! REIVIDIQUE O SEU AUMENTO, LUTE PELA SUA VIDA! EXISTEM TRABALHADORES QUE SE IMPORTAM COM O BEM ESTAR SOCIAL, VOCÊ PODE SER UM DELES. QUAIS SÃO OS SEUS DIREITOS? O ESTADO ESCONDE O PODER QUE SÓ VOCÊ TEM. SÓ A LUTA MUDA A VIDA. NÃO DEIXE QUE O SEU PATRÃO GRITE CONTIGO OU LHE FAÇA DE ESCRAVO! VOCÊ É TEM DIREITO DE CRESCER! VOTE NULO E DIGA QUE SÓ VOCÊ PODE FAZER A DIFERENÇA. NINGUÉM NO PODER FARÁ QUALQUER COISA POR VOCÊ! PROCURE SE INFORMAR, EXISTE PESSOAS CONSCIENTES QUERENDO AJUDAR! – PAV – POLÍTICA ALÉM DO VOTO!" [ Enviado por Maria Eunice].

Coisa perigosa

"Agora vai! E não vai ter véspera de sabe-se-lá-o-quê que impeça de acontecer a coisa mais perigosa de todos os tempos. Perigosões e perigosonas, na expectativa de que a festa possa acontecer até o final, bailando ao som perigosíssimo de Willy & Clark, que tocarão nos decks apenas músicas perigosas, entremeadas pelo perigosíssimo show de Cicciolina Roitman, a mãe do retro-eletro, recém-chegada do circuito ítalo-piauiense, para apresentar seu revolucionário pocket-show, misturando clássicos da rádio AM nos anos 70 com as batidas eletrônicas mais perigosas da última década. O evento mais importante do circuito cultural BsB-NY desde o "Up-Tight Warhol" no final dos anos 60. O seguro, aquele que morreu de velho, recomenda-lhe deixar uma garrafa própria de bebida destilada no porta-malas do carro pra "caso se" a puliça quiser dar uma de perigosona e aborrecer os convivas.e NÃO À PRIVATIZAÇÃO DA COISA!!!
COISA PERIGOSA>>> Sábado, 28 de outubro a partir das 22h>>> músicas perigosas por willy+clarkpocket show perigoso-revolucionário-terrorista por CICCIOLINA ROITMAN (Itália/PI) no Landscape Pub (CA 7, Lago Norte)".

quarta-feira, outubro 18

ação trágica>>relançamento!

sexta, 20.10.06, 10h>>
Biblioteca Central UFPB

Relançamento do livro>>
Arqueologia da ação trágica: o legado grego,
de Sandra Luna

Apresentação>>>
Arturo Azevedo

segunda-feira, outubro 9

Tintin>>mes de niver!!

11/10 quarta 19h30
LANÇAMENTO ESPECIAL Grátis

Serena, Serená:
Os caminhos do coco de roda e da ciranda na Paraíba >> de Lorena Travassos [doc, 20 min., 2006, PB] Guiado pela música e cultura local, o documentário faz uma viagem através dos diálogos mantidos com os coquistas e cirandeiros paraibanos. Os entrevistados são conhecidos por pesquisadores da área, a exemplo de Penha Cirandeira, Odete de Pilar, Grupo de Caiana dos Crioulos e Mané Baixinho.
>> presença da equipe do filme.
+ Show: Mané Baixinho e Penha
+ making of: fotos de Nazareno
Tintin Cineclube Cine-Teatro Lima Penante
Av. João Machado, 67 – Centro

submidias

*:: * *12 -15 OUT 2006, Olinda, Pernambuco *+tema: cultura livre, mídiatática, re-significação, política, arte e tecnologia, escolha seu sabor... *:: * * http://submidialogia.descentro.org* *::*
*-> *a idéia; +trazer diferentes experiências - teóricas e práticas - para contatarem-se; +jogar, de um novo ponto de vista, articulações entre teoria e prática nos meios tecnológicos; +incentivar teoria sobre as práticas para que estas não anulem-se, tornando-se utilitarismo; +incentivar práticas sobre teoria, aplicando experiências em prol de uma (sub) concepção do aparato tecnológico midiático; +criar um espaço tempo de subversão das práticas e teorias sobre tecnologia.

Jesus Mickey>>>verdeee

intervençao sobre crucifixo de prata.
com objetos.18cmx25cm2006.
foto:Joelson Veiga.

terça-feira, outubro 3



Tintin Cineclube
programação semanal
Cine-Teatro Lima Penante
Av. João Machado, 67 – Centro
Parahyba







"toda quarta tem sessão, faça chuva ou faça sol"

04/09 quarta 19h30 Grátis
CIRCUITO CINECLUBISTA DE ESTRÉIAS #2
92, de Juca Mencacci [vídeo-arte, 1 min., 2006, SP]
Kant como le gusta, de Paulo Poft [fic., 3 min., 2005, SP]
Irreversibilidade, produção coletiva [vídeo-dança, 4’ 50”, 2006, SP]
+ DOCTV Retro
Paulo companheiro João, de Iur Gomez [doc, 55’, 2005, SC]

05/09 quinta 19h30 Grátis
SELECTA por Igor Cabral>> realizador e editor carioca
A ilha [Felipe Cataldo e Igor Cabral, videoclip, 4', 2006]
A vida sexual de Robinson Crusoé [Igor Cabral, fic, 11', 2006]
Emana [Igor Cabral, experimental, 17', 2006]
River life [Igor Cabral, experimental, 2', 2005]
Prefácio [Fabíola Trinca, Sabrina Bitencourt e Igor Cabral, experimental, 6', 2006]
+ bônus:
Dramática, de Ava Rocha [experimental, 19', 2005]

um [falso] haikai ao dia...

dia inteiro
caminho do fim
iminente devir.

segunda-feira, setembro 18

Tintin Cineclube: programação semanal |19h30
Cine-Teatro Lima Penante: Av. João Machado, 67 – Centro
20/09 | quarta | 19h30| MOSTRA ITAÚ CULTURAL
Me Erra, de Paola Leblanc [RJ, 72 min, doc, 2002]
“Me erra” é um jargão usado pelos boxeadores da Academia Nobre Arte, que funciona há 12 anos no Morro do Cantagalo, Rio de Janeiro, como uma iniciativa pioneira de boxe amador e trabalho comunitário. O documentário acompanha a rotina dos pugilistas nascidos e criados na favela, mostrando a importância do boxe em suas vidas e como o esporte transforma a realidade de uma comunidade. extra info>>> www.abdpb.org.br

um [falso] haikai ao dia...

um poema gota
palavras descem do céu
tecido em trança.

quinta-feira, setembro 14

lineup>>mundo audiovisual

Mostra audiovisual
Restaurante Manjericão
centro histórico Grátis
Condução>> ZB Tintin Cineclube

15 de setembro sexta-feira
16h Retrospectiva do vídeo musical PB
+Bônus: Lombra Decom: seleta novos realizados UFPB
1715 Bate-papo Vídeo e música no mesmo balaio: e o futuro?
16 de setembro sábado

17h “Essa é a minha banda!”
Clips e vídeos das bandas convidadas do Festival Mundo
17h40 Bate-papo
A imagem das bandas independentes em tempos digitais.
Extra info>>> www.festivalmundo.com


Carta a Socorro Nobre


Cara senhora,
Ontem à noite tive a oportunidade de saber de si através do curta-metragem dirigido por Walter Salles em 1995 e que leva o seu nome no título. Eu, assim como as outras 20 pessoas que assistiram a sessão dedicada às mulheres na sessão 'Selecta' do Tintin Cineclube, aqui em João Pessoa, certamente ficamos bastante tocados pela sua história, sua sapiência e tranqüilidade mesmo, na época, vivendo situação tão difícil como a de estar privada da liberdade – nosso maior e talvez único bem. Claro que o drama que emana da sua vivência foi ampliado pelo trabalho do fotógrafo nascido aqui na cidade, Walter Carvalho [o homem da câmera, lembra?], que se utilizou do alto-contraste próprio das imagens em preto e branco e dos planos fechados, que nos aproxima das pessoas, das coisas, para assim criar uma identificação difícil de evitar: confesso sem vergonha, ter vertido algumas lágrimas para si... Também me tocou, assim como aconteceu consigo, a trajetória de Franz Krajcberg e sua relação com a natureza ‘natural’, transformada por ele em natureza ‘humana’ [arte]. Salles demonstrou, desde logo, ter ‘feeling’ [desculpe a expressão em inglês, mas não encontro agora outra melhor] para, a partir das dificuldades e misérias da nossa pequena vida humana, engendrar as relações entre pessoas tão distintas, mas tão próximas [teve a chance de ver o filme do alemão Wim Wenders, “Tão longe, tão perto”?]. Contudo, me pergunto porque se diz por aí que foi sua pessoa quem gerou a personagem Dora, tão bem interpretada por Fernanda Montenegro, no filme “Central do Brasil”. Talvez seja a relação com as cartas; talvez a história de luta incessante de uma mulher em busca da felicidade; ou quem sabe o encontro entre criaturas solitários no mundo de tantas vilanias e tristezas? Tudo isso serve, na verdade, para nos lembrar da força da vida e de quanto é bom estar correndo por aí, solto no mundo, mesmo sem saber direito onde se vai. Preciso ir agora. Obrigado, e que sua nobreza sirva para quem a procure. Atenciosamente.

segunda-feira, setembro 11

um pouco de luz


buddha: aquele que sabe
ou aquele que despertou.

Siddharta Gautama: século VI a.C.

Tintin e a mulher


Tintin Cineclube: programação semanal
entrada franca: Cine-Teatro Lima Penante
Av. João Machado, 67 – Centro
Sessões nas quartas 19h30
Sessão extra quinta 19h30

13/09 quarta 19h30 SELECTA
Apresentação João Carlos Beltrão fotógrafo de O cão sedento, Alma, entre outros.

Socorro Nobre, de Walter Salles [RJ, 23min, doc, 1995] A surpreendente correspondência entre o artista plástico Frans Krajcberg e a presidiária Socorro Nobre.
Uma flor na várzea, de Mislene Santos e Matheus Andrade [PB, 20min, doc, 2006] Em agosto de 1983, a líder do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, Margarida Maria Alves, foi assassinada na porta da sua casa com um tiro de espingarda calibre 12 no rosto. Sua ação sindical foi apontada como a principal causa de sua morte.
Desejo Citrullus, Ana Bárbara Ramos [PB, 1 min, doc, 2003] O que uma mulher grávida pode fazer em nome de um desejo?

14/09 quinta 19h30 CINE BR EM MOVIMENTO
Cidade Baixa, de Sérgio Machado [BR, 93min, fic, 2005]
Deco (Lázaro Ramos) e Naldinho (Wagner Moura) ganham a vida fazendo fretes e aplicando pequenos golpes a bordo de um barco que têm em parceria. Quando conhecem a stripper Karinna (Alice Braga), os dois amigos vão sendo tragados por uma espiral de ciúmes e pequenos rancores.

sexta-feira, setembro 8

Flanando entre 'os novos' do Sesc

Na última terça-feira 5, o Sesc João Pessoa inaugurou o Salão de Novos Artistas Plásticos [Snap], premiando aqueles considerados de destaque pela comissão julgadora. Mas “cada cabeça uma sentença”. Entre as escolhas oficiais e a visão de quem, sem compromisso institucional, flana por entre pinturas, esculturas, objetos, desenhos e fotografias, o trabalho de alguns dos novos realmente se destaca.
Na pintura, Hector Molina apresenta naturezas-mortas hiper-realistas bem compostas e que, por isso mesmo, não deixam de parecer críticas sobre a prática figurativa. Ao seu lado, Erik Martinez toma cores fortes para criar um patchwork de formas orgânicas entrelaçadas pela natureza animal. Madriano Basílio também investe no vivo da cor e cria um primitivismo equilibrado em pequeno formato. Pié Farias ‘mergulha’ nos temas míticos das formas femininas e o mar: Dança com rosas guarda uma aura atrativa, uma força que quer manter viva a tradição do ícone divino. As esculturas/objetos de Cristina Carvalho trilham o branco ativo em contraponto ao vermelho de dores e rosas costurados pelas linhas dos textos também tecidos .
O objeto-livro A dor pela dor é uma via-crucis do que se (des) faz devido à perfuração sangrenta dos desejos inconseqüentes; Eu me sufoco, tu te sufocas, nós nos sufocamos é o grito solitário do ser envolto na gaze do silêncio, desdobrando-se pelas paredes, mas sendo um mesmo grito só.
A fotografia apresenta composições variadas e traz promessas. Thiago Gualberto, por exemplo, (se) revela um homem-muro a partir da sobreposição de imagens, propondo a fragmentação da imagem e do sujeito; Helder Oliveira amplia a forma artística presente em aspectos da natureza microscópica. No desenho, José Nilton dos Santos interfere com nanquim na intimidade de imagens do nosso interior: pulmões radiografados são o lugar da dor e da alegria do ar que percorre. O salão - mesmo com alguns problemas na montagem - é nesse momento uma brisa refrescante para as artes visuais na capital. Até dia 15 em cartaz.

quarta-feira, setembro 6

Jaguaribe Carne (nova no pedaço)

Experimentando os limites da música há 32 anos, o grupo guiado por Pedro Osmar e Paulo Ró alcança novo timbre com a entrada de Zé Guilherme [quem há de esquecer ‘o profeta’ da Cabruêra] e a saída ‘material’ de Ró do grupo. Digo isso porque no concerto de despedida e boas-vindas nesta semana no Teatro Santa Roza, a promessa foi que mesmo na Alemanha, o ‘irmão da carne’ possa virtualmente se fazer presente nas apresentações do grupo através da via digital que nos conduz cotidianamente.
Assistindo o acústico de sonoridades universais porque locais [Se queres ser universal, idolatra tua aldeia, Leon Tolstoi], renovado pelo presente que se sente e vê e não apenas que se idealiza nas imagens e palavras de nossa cultura, a pretensão tecnológica não parece grande demais para eles. Da percussão envolta pelo violão quase extensão do corpo a cantiga da velha que já não fia; do fio de cordas de um jovem violinista as notas expostas de um piano de cauda; da voz que valoriza dona Maria que mora na calçada paulistana e se apavora diante de vampiresco ladrão de casaca, Jaguaribe Carne expõe a máxima do passado sempre presente: ondas sobre ondas no mar sem começo nem fim.
Ecoa nos corpos a sonoridade dos humanos; a Carne continua seguindo a estrada que conduz à superação. A arte é criação e recriação, insurgente da matéria [cada vez mais] bruta da vida porque é ela assim mesma: vamos comê-la, bebê-la e cagá-la.

Boaventura é Bonsucesso!!

Na conferência de abertura do III Seminário Internacional de Direitos Humanos, dia 4 aqui em João Pessoa, a grande ‘vedeta’ – usemos pois a expressão portuguesa – foi mesmo o professor Boaventura de Sousa Santos, figura distinta nas discussões sobre os caminhos da globalização e exímio analista das questões pós-coloniais nos países ao Sul do Welfare State. Sob o tema “os direitos humanos na zona de contato entre três globalizações”, o autor português propôs uma “renovação radical” no atual quadro de distanciamento entre a teoria e a prática nos direitos humanos e, por reverberação, na academia. “Vivemos um mundo de perguntas fortes e respostas fracas”, diz, salientando a discrepância entre os princípios e as práticas em relação aos diretos humanos, à lei, ao Estado.
Segundo ele, o modelo hegemônico das estruturas mundiais de hoje conduz a um “consenso forçado” por parte de uma sociedade em franco processo de instrumentalização, deixando o cidadão em estado de resignação, sem alternativas frente à globalização e seus modelos opressores. Na “zona de contato” intercultural de um multiculturalismo inescapável, misturam-se capitalismo neoliberal, movimentos anti-hegemônicos e uma “teologia política” que sustenta à emergência do fundamentalismo religioso, não apenas do Outro, mas também do Mesmo. Essa “teologia política” apresentaria a figura de um Deus “totalmente fiel”, projetando os sujeitos para além dos problemas histórico-sociais do presente. Mesmo se apoiando em um aparente “anti-materialismo”, o que a distanciaria do modelo neoliberal, essa vertente da globalização apostaria em um modelo único de pensar, não propondo um salto em relação as ideologias hegemônicas – o que acaba por afastá-la da vertente globalizante anti-hegemônica, guiada pelos movimentos sociais. Esse caminho, na verdade, substitui a “conversação pela conversão”; questionando relações entre sagrado e profano; imanência e permanência; público e privado, ambivalências essas que, pela instabilidade, venham a garantir mais força ao projeto político empreendido.
Santos põe em cheque o que é hoje internacionalmente aceite como direitos humanos, pois muitas violações consideradas graves, que causam sofrimento humano, não estão contempladas sob a perspectiva desses mesmos direitos. O que acaba por transformar a ‘bandeira’ (a força de uma idéia) em ‘máscara’ (idéia que se esconde sob a força): o verbo afugenta a visão da realidade; o conceito é proporcionalmente funcional ao interesse de quem o manipula. Com tantas fragilidades latentes nos modelos em pleno desequilíbrio, Boaventura Santos acredita que a democracia ainda é um ideal e toma Rousseau como exemplo: a democracia só acontecerá quando ninguém for tão rico que queira comprar o outro, nem ninguém tão pobre que precise se vender. Serve-nos bem o modelo...

segunda-feira, agosto 28

um [falso] haikai ao dia...

manhã após
noite veloz
intermedio fluxos.

Estréia local: “O mundo de Yan”

Assacine>> filmes inéditos em João Pessoa
Tintin Cineclube>> 30.8.06, quarta>> 20h30
Cine-Teatro Lima Penante
O mundo de Yan, de Niu Batista [João Pessoa/PB, 20min, Fic., 2006] A história de um jovem que vive interno numa Casa de Saúde por apresentar distúrbios mentais. Yan (Joht Cavalcante), contudo, consegue mergulhar num universo encantado.

>>Debate com o diretor e equipe após a sessão >>Discotecagem e bar em pleno funcionamento até 1h.

terça-feira, agosto 22

'Dizem que sou louco...'

Amanhã 23, 19h30: Mostra Glauber: Cine-teatro Lima Penante: Grátis >>> apresentação | Astier Basilio

O pátio [BR, 11min, fic, 1959] Num terraço de azulejos em forma de xadrez, um rapaz e uma moça. Esses dois personagens evoluem lentamente: se tocam, rolam no chão, se distanciam, se olham... Primeiro filme de Glauber Rocha.
Maranhão 66 [BR, 11min, doc, 1966] Documentário que registra a posse de José Sarney como governador do Maranhão. Foi financiado pelo próprio evento que marcou o início do domínio político da família Sarney no Estado, que perdura até hoje.
A Degola Fatal, Ricardo Favilla e Colvia Molinari [BR, 13 min, doc, 2004] Construído a partir de imagens feitas originalmente em super-8, no dia 22 de agosto de 1981, no funeral de Glauber Rocha. Imagens em fragmento, recortes, lágrimas, desespero, discursos, silêncios.
+ curta-bônus

um [falso] haikai ao dia...

o vento lá fora: ar
objetos respondem
natureza em comum.

quarta-feira, agosto 16

Kiko Goifman ou a imagem que se reflete no espelho

O mineiro Kiko poderia ter outro nome se não tivesse sido adotado antes de conhecer sua genitora. Mas isso nos impediria de assistir a 33 [74 min., 2004], seu 'bio-documentário' voltado a clarear uma imagem de si mesmo desconhecida – o devir – apresentado na sessão de hoje do Tintin Cineclube. Marcado por uma estética do ‘filme negro’ [preto e branco em alto contraste, detetives e muitos cigarros], o realizador olha todo o tempo para o que faz, nesse sentido metalingüístico até a medula, enquanto vasculha a memória de sua família atrás de pistas ou apenas de desculpas para continuar filmando.
O longa dialoga todo o tempo com o público, arrancando inclusive risadas com as técnicas detetivescas nada sutis, enquanto olha com olhos esbugalhados para a cidade imensa; lugar de todos e ninguém: estamos dentro e fora todo o tempo. O resultado é o meio, ou seja, o filme vale pela experimentação e ousadia narrativas, voltadas à ruptura do documentário investigativo em prol da arte de contar. Para isso, basta um motivo.

Camareira, a primeira ficção de ZB

Da idéia até a filmagem foram apenas três horas. Nascido dentro de um quarto de hotel em Santa Maria, RS, durante a 26ª Jornada Nacional de Cineclubes Brasileiros (julho de 2006), o curta-metragem digital Camareira (Zonda Bez, 5 min., 2006) reúne em uma mesma ‘micro-produção’, equipe de pelo menos três estados brasileiros e diferentes, porém confluentes, perspectivas para uma idéia se materializar em imagem e movimento, apenas com uma câmera fotográfica digital – reafirmando que a máxima glauberiana continua mais atual do que nunca em tempos pra lá de binários.
Afinal, o que uma camareira, em um dia de trabalho como outro qualquer, pode encontrar em um dos inúmeros quartos que arruma diariamente? Vivendo com olhos ‘cegos’ e ouvidos ‘surdos’ para o que acontece em um (quase sempre) indiscreto ambiente ocupado temporariamente; como uma moça dedicada ao trabalho pode desvelar traços de sua identidade, abafada pelas regras de conduta e sempre vigiada por olhos eletrônicos, quando tem a chance? São perguntas que surgiram, e ainda surgem, da concepção (ao lado de Bruno Cabús) à finalização (ao lado de Marcelo Coutinho) do curta para uma atriz só: Fabíola Trinca.
Camareira propõe uma trama organizada por um narrador irônico que tudo sabe e vê; sempre espreitando e ‘dialogando sem diálogos’ com a imagem e os sons – ruídos, vozes da mente e da TV – propõe o movimento constante para personagem e espectador. O vídeo estréia em João Pessoa no Tintin Cineclube [Cine-Teatro Lima Penante] dia 6 de setembro, às 19h30. Entrada franca.

Literatura no cinema: novo livro de JB

"O sexto livro do crítico João Batista de Brito, aborda o problema da adaptação cinematográfica, formulando a pergunta: o que realmente acontece quando um texto literário, romance, conto ou peça, ganha expressão fílmica? De modo objetivo e didático, o livro discute e expõe as operações que viabilizam essa difícil e pouco conhecida transformação semiótica. Literatura no Cinema será lançamento amanhã, às 20h, no Parahyba Café. Além de capítulos teóricos sobre o problema da adaptação cinematográfica, Literatura no Cinema contém análises de filmes que se basearam em grandes obras literárias, nacionais e internacionais. Ao lado da seção de teoria, a seção de análises práticas está dividida em três tópicos: (1) Shakespearianos, (2) Brasileiros e (3) Outros. Entre os filmes brasileiros discutidos estão clássicos como Vidas Secas, e realizações recentes, como Abril Despedaçado. Já a relação dos Outros inclui um leque amplo de obras literárias que ganharam forma fílmica, que vai da Odisseía de Homero a James Joyce ".



Zuzu Angel: um filme necessário

...Mas, o que é mesmo preciso para se ter um filme capaz de associar arte e entretenimento? Muito mais do que supõe o cinema brasileiro com olhos postos no Oscar. Não que Zuzu Angel [Sérgio Resende, 2006] possa ter pretensões artísticas além de exibir as criações da estilista Zuleica Angel, portando-se de todo como um filme libelo-pacifista ao refletir a ditadura militar do Brasil pelo recorte do sujeito, não de um grupo. Desde a década passada, produções que retratam o submundo do “Pra Frente Brasil” do militarismo chegam às telas, sendo o próprio Rezende responsável por uma dessas produções: Lamarca [1994]. Pois é sob a égide desse anti-héroi revolucionário que encontramos o jovem Stuart Angel Jones [Daniel de Oliveira] assaltando bancos e fazendo passeatas nas ruas cariocas, até a sua captura pelos “homens de preto” do regime. Aí começa a busca de Zuzu [Patrícia Pilar na imagem], escarafunchando as entranhas do poder militar e judiciário brasileiro, para saber onde fora parar seu filho. É isso o filme: um grito de amor maternal. Centrando na reluzente e talentosa estrela Global que é Pilar, acompanhamos a trajetória da protagonista em flashback, sempre entrecortada por quadros vários nos quais tenta-se explicar a relação dela com Stuart. O filme é marcado por momentos de alta carga (melo)dramática e se desenvolve sem atropelos - a música, entre Chico Buarque e Pedro Luís, ajuda a criar alguns climas sensíveis - contando uma boa história, mesmo que resumida aos seus “melhores momentos”. As tentativas de filmes históricos no Brasil, com suas reconstituições de época por demais cuidadosas, causam sempre um desconforto pelos excessos. Bons atores, como Daniel Oliveira e Leandra Leal, estão aquém de atuações anteriores, enquanto outros apenas reproduzem maniqueísmos característicos dos “filmes de repressão”. Se é assim, por que considerar Zuzu Angel necessário, como o título desse texto sugere? Nenhuma cinematografia mundial é feita apenas de filmes de arte, mesmo as mais vanguardistas. Filmes de alto orçamento, mas de resultados estéticos medianos porque comprometidos com o capital, são produzidos em todo lugar e o "mal necessário" dialoga com o público sem maneirismos, utilizando-se da linguagem televisiva já tão bem assimilada.... Mas vale salientar, que Zuzu Angel seja exemplo, que não há paciência pra sair sempre de casa para assistir televisão no escurinho do cinema.

terça-feira, agosto 15

um [falso] haikai ao dia...

O silêncio dos dias
Palavras bóiam no mar
Pausa mira o horizonte.

noir à brasileira

Um road movie entre fumaça, parteiras, cartomantes, porteiros, médicos e detetives. Um documentário com aspectos de filme noir, onde o diretor torna-se personagem de sua própria obra quando decide encontrar a sua mãe biológica. Essa é a proposta de 33 (SP, 74 min, doc, 2004) de Kiko Goifman, filme que será exibido nesta quarta-feira, dia 16, as 19h30, no Tintin Cineclube: Cine-Teatro Lima Penante, Av. João Machado, 67 - Centro de João Pessoa.

segunda-feira, agosto 7

09/08>> quarta>> 19h30>> Cine-Teatro Lima Penante

SELECTA por Bruno Góes>> Entrada franca

Mostra Eduardo Valente

Um sol alaranjado, de Eduardo Valente (18 min, 2001, RJ)

Castanho, de Eduardo Valente (13 min, 2002, RJ)

O Monstro, de Eduardo Valente (13 min, 2005, RJ)

>>> Videoclipes dirigidos por Eduardo Valente

Condicional, música de Rodrigo Amarante (Los Hermanos)

Morena, música de Marcelo Camelo (Los Hermanos)

Bônus>> filmes de seu assistente e cineasta Felipe Bragança.

O nome dele (O clóvis), de Felipe Bragança (15 min,2004)

Jonas e a Baleia, de Felipe Bragança (20 min, 2006)

sexta-feira, agosto 4

Os belos do finde...


Marilyn Monroe [1926:1962]*
James Dean [1931:1955]

* era um cinco de agosto daquele ano...

Rumo à terceira margem do vazio

Se o zero não é vazio, nada é, nem o próprio vaso de barro – moldado para dentro dele se dar forma ao vazio aparente... Reflexões surgem do documentário paulista de Andrea Menezes e Marcelo Massagão, O zero não é vazio, exibido esta semana no Tintin Cineclube e, sem dúvida, um dos mais interessantes da série DocTV, exibidos na sessão retrô da primeira quarta do mês. Alinhavando histórias de ‘personagens reais’ que vivem entre um real imaginado e uma aparente realidade, vamos acessando a relação dessas pessoas com a escrita – nem sempre entendida pelas palavras – e como ela se torna indispensável na sustentação das personalidades, o próprio sentido da vida à margem do sistema opressor. Poetas e cronistas da rua, ou ensimesmados em suas trajetórias pessoais, entregam-se aos grafismos e neologismos da linguagem verbal; agradam e chocam os comuns tentando arrebentar a barreira que ainda mantém a escrita ao lado dos detentores de uma erudição massificada. Sendo transeuntes quaisquer na vida rotineira de todo e nenhum lugar, tornam-se quase ficção e rompem as costuras do modelo mais tradicional de documentar a realidade – ainda bastante utilizado no projeto DocTV. O estilo de Massagão, autor do indispensável Nós que aqui estamos por vós esperamos, está impresso na transição não-linear entre as histórias; a marcação proposta pela música de José Miguel Wisnik; uma perspectiva de quem está ao centro, pois tem o controle da narrativa, mas abre-se à terceira margem, dando palavra, voz e humanidade a quem está sempre lá do outro lado, mas ninguém vê.

quarta-feira, agosto 2

a escrita dos escribas

Tintin Cineclube>> 02.8.06, quarta>> 19h30
Cine-Teatro Lima Penante>>
Av. João Machado, 67>> Centro
DOCTV RETRÔ
O Zero não é Vazio, de Andréa Menezes e Marcelo Masagão [São Paulo, 55 min, doc, 2005] O filme aborda o lugar que a escrita tem para aquele que escreve. Através de visitas aos locais onde se realiza a escrita, os diretores entraram em contato com o que estava guardado em armários e gavetas, como a escrita de Gregório ou de Arturo. Ou ainda, com aquilo que estava exposto no espaço público como a escrita de Márcia, colada em postes de iluminação e árvores nas calçadas do bairro de Higienópolis ou a escrita do Condicionado, pequenas ofertas aos passantes que circulam pela Avenida onde mora.

segunda-feira, julho 31

Lab 2006: a ruptura (in)prevista

Ano passado, o artista visual e diretor da Galeria Archidy Picado, Fabiano Gonper, criou o projeto Laboratório, espaço para a experimentação de jovens artistas a partir da vivência e produção no espaço único do ‘cubo branco’. A exposição aconteceu, esteve Zonda Bez entre os quatro arteiros à época, mas os pioneiros acabam mais por olear as dobradiças para que a porta se abra sem ruídos, do que fazendo uso pleno do novo criado. Mas a idéia mostrou-se produtiva e sob a orientação de FabbioQ., curador independente e um dos que mostrou a cara na exposição do ano passado, o projeto 2006 trouxe uma lufada definitiva de ar ao subsolo do Espaço Cultural, com a apresentação de artistas que chegam de fora do rol estabelecido ao longo de décadas de galerismo local.
O mais jovem dos artistas, Thiago Verde, transpôs para a galeria todo um jorro criativo, um tanto assustador até [vide Autópsia de bebês], mas pra lá dessa compreensão ‘racional’, tudo vem do que parece dominar o seu cotidiano: desenhos, frases soltas, borrões e riscos; fragmentação e síntese; um “tudo ao mesmo tempo agora” que nos leva a um lugar outro – ou nenhum: certamente não é aqui!
O designer Joalisson, que teve seu desenho erótico misteriosamente censurados nas paredes da Picado, tirou proveito disso e realizou um protesto contra o não poder dizer – também acredito que a arte não deve se submeter a moral burguesa – ao mesmo tempo em que questiona os suportes tradicionais, ao expor apenas molduras. Essa perspectiva também dá bases ao trabalho do paulistano Marcelo Brandão – recém integrado ao cenário artístico local – cuja pintura marcadamente geométrica se sobrepõe em camadas variadas, saindo da tela e preenchendo a parede, propondo uma tridimensionalidade dentro de uma desordem ordenada. Já o fotógrafo Roncally Dantas humaniza a natureza ou encontra lá em suas formas o modelo do que somos, através de imagens em branco e preto.
Dois estudantes do curso de artes da UFPB finalizam as escolhas do Lab 2006: Adriano Barreto literalmente fragmenta em pedaços sua obra de vidro e transparências, revelando o mínimo que persiste sobre o branco; a marca do sujeito cujas mãos criam e pisam várias naturezas, reconstruídas por quem vê. Cristina Carvalho, vista recentemente na individual Tecelã, apresentou uma peça da memória, do baú dos desejos bordado às avessas: um vestido de noiva ornamentando, em sua secritude, por cartas de amor. Quem viu a exposição certamente repensou concepções de arte no espaço consagrado e institucional da galeria: um lugar de todos, mesmo que seja só para os escolhidos - foram mais de 650 os escolhidos que assinaram o livro de visitas...

3x4 ou uma comédia à moda antiga

Quando o burguês velho e endinheirado quer casar com a viúva interesseira, o funcionário público em ascensão e sua esposa tentam chegar ao casamento que está atrasado pelas confusões do casal português empregado do capitalista, o qüiproquó está montado lá no século 19. Três histórias cômicas entrelaçadas dão o mote para a Comédia 3x4, dirigida por Duílio Cunha, que esteve em cartaz no Theatro Santa Roza durante o mês de julho. Para criar um clima misto de commedia dell’arte [imagem], drama burguês à la Molière [lembro do embroglio de O doente imaginário] e frames de um cineminha mudo nos primeiros tempos, temos uma encenação que conduz o público à intimidade de tipos esdrúxulos, farsescos e suas intenções quase [des] honestas. Alcança-se o riso pelos diálogos marcados pelo linguajar próprio do brasileiro daqueles tempos, presentes nos textos de Arthur Azevedo e Martins Penna; através de frases impagáveis como “ponha-se ao fresco!” ou o bordão “E meta-se, e meta-se!”, até uma série impressionante de ditados populares costurados para a coerência de quem os fala. Manter o vocabulário antigo é não temer a incompreensão de uma platéia hoje pouco acostumada ao burlesco, mas por demais habituada ao grotesco das ‘comédias-piniqueira’ que dominam o cenário cômico na Paraíba há muitos anos. Segundo o diretor, a peça “prima pelo redimensionamento no uso do espaço, pelo diálogo entre os elementos da tradição e da contemporaneidade, retomando aspectos da comédia popular”. Os quatro atores que representam os vários papéis dão bem o recado – não temem o texto, tem ele na palma da mão – e, em alguns momentos, a velocidade da mudança de figurino faz-nos lembrar do tour de force de O mistério de Irma Vap, que tanto sucesso fez no teatro brasileiro e virou até filme. A Comédia 3x4 resulta em um espetáculo que experiencia um timing diferenciado e propõe uma visão atualizada [nunca poderia deixar de ser assim!] para textos do passado sem, contudo, tirar-lhes a alma; uma graça que surge do jogo entre atores, texto e platéia: não seria isso, pois, a essência do teatro?!.

Nevinha continua com tudo!

Mais agosto e ponhamos, de vez, fim aos desgostos: a Festa das Neves traz o clima da quermesse, a lembrança da maça do amor colando no céu da boca e da pipoca doce, além dos desejos já não tão infantis de roda-gigante e da clássica monga e seu terror de meia-tigela [a própria na visão de Jan Limpens]. Esse ano, a programação promove um festival de atrações principais centradas no neo-brega [Reginaldo Rossi, Banda Omelete, Totonho e os cabra, entre outros], mas também abre espaço para as manifestações populares [emboladores, cirandeiros, coqueiros...] e o rock PB, que começa nessa semana. No fim de semana, a trupe Armatrux, de Belo Horizonte, mostrou seu teatro de bonecos para um público curioso, mesmo que não tenha causado grande comoção no final das contas: ficou a técnica acima da diversão.
Os shows acontecem em vários pontos do circuito da festa e circular pelas ruas como se estivesse em uma cidade do interior ainda é o melhor! No dia da abertura, Nevinha trouxe algo a mais pra cidade: o lançamento do esperado edital do Fundo Municipal de Cultura (FMC). Para 2006, serão disponibilizados R$ 700 mil para as diversas áreas artístico-culturais. Pode não ser “aquela Brastemp”, mas se compararmos com o valor que o Fundo Augusto dos Anjos ofereceu ano passado para toda a Paraíba, já estamos com saldo positivo, sem dúvida. O prazo para inscrição de projetos começa dia 7 de agosto e segue até 22 de setembro. O presidente da Funjope garantiu que oficinas de formatação de projetos deverão acontecer em bairros da cidade – uma tentativa de democratizar o acesso da cultura institucionalizada às camadas menos preparadas e tão carentes quanto as outras. + info>>> www.joaopessoa.pb.gov.br

um [falso] haikai ao dia...

assim sempre
passa o tempo
febril rutilência.

quinta-feira, julho 27

Quarta DnB

O dia inteiro de chuva espantou um pouco o público que comparece sempre, mas não por isso o Assacine do Tintin Cineclube deixou de acontecer na noite de ontem no Cine-Teatro Lima Penante. A estréia da noite foi o vídeo de Thiago Falcão, DJ e estudante de Comunicação Social da UFPB, O que nos liga é a música, diário visual de uma viagem a São Paulo em tempos de Skol Beats [foto] – o maior encontro de música eletrônica na redondeza/quadratura da América do Sul. Entrevistas com gente que tem no drum’n bass a própria razão da vida [profissional e afetiva], entre público comum e gente do metiê eletrônico, e imagens-fragmento de uma São Paulo por baixo [metrô] e por cima [na rua e na festa], percebemos o interesse de Falcão em revelar um pouco do DnB que já foi ‘cena indie’ a partir de meados dos anos 90 e hoje é fenômeno de massa global, já muito sem aquela ‘aura’ [lembremos sempre de Walter Benjamin por isso!] dos primeiros tempos.
A edição de Marcelo Coutinho contribui imensamente para a dinâmica do vídeo, que ganha marcas de um estética videoclip já difundida pelo jovem editor/realizador. Por isso, aproveitando a palhinha do tema música+imagem, foi lançando em off o videoclipe de Coutinho para o projeto sonoro No me abandones [Thiago Verde et al], onde as batidas da experiência verdiana se misturam ao jogo de luzes do trânsito pessoense de forma sincopada. Depois de tudo, drum’n bass é claro, porque “quando chove/ e a noite é de frio”, há de ter qualquer coisa, uma batida quiçá, pra subir a temperatura de corpos cinéfilos.

segunda-feira, julho 24

assacine>>drum'n'bass na tela

Tintin Cineclube |26.7.06, quarta |20h
Cine-Teatro Lima Penante | Av. João Machado, 67 – Centro
Assacine>>sessão de lançamentos
Ingressos | 2 reais (inteira) 1 real (estudantes e abedistas)

O que nos liga é a música, de Thiago Falcão
[João Pessoa/PB, 15min, Doc., 2006]
Filmado durante o Skol Beats, evento de música eletrônica que esse ano reuniu cerca de 60 mil pessoas em São Paulo, o vídeo se detém aos aspectos culturais que definem um gênero: o Drum and bass (drum'n'bass,DnB), estilo eletrônico criado na Inglaterra no início dos anos 90, caracterizado por linhas de baixo e batidas aceleradas.
>> Debate com o diretor após a sessão + discotecagem com DJ Falcão e bar em pleno funcionamento.

quinta-feira, julho 20

Morrer três vezes ou a vida que foge de nós

A sessão de ontem no Tintin Cineclube foi dedicada a visões da morte, sem dúvida um dos temas mais controversos da ontologia humana, matéria inigualável para se tentar compreender um naco dos dramas existenciais que acompanham a nossa raça ao longo do seu agridoce caminhar.
A sessão com curadoria de Zonda Bez, que estreou a Quarta Selecta, levou 25 pessoas ao Cine-Teatro Lima Penante, interessadas que estavam em compartilharem o olhar pós-morte dos pernambucanos Kleber Mendonça Filho e Daniel Bandeira [Menina do Algodão], a partir de uma lenda urbana brasileira; assim como a perspectiva interiorizada e mórbida do fim proposta pelo paulista Marco Dutra [O Lençol Branco e Concerto Número 3].
Os três curtas-metragens dão enfoques diferenciados para a morte: o filme de Recife [foto] caminha entre o sonho e o pesadelo dos vivos que são assombrados por quem já não está vivo, apostando no clima de terror para envolver a platéia. Como bem define Arthur Lins, “o filme é o único exemplar da mostra que investe em um nítido ‘cinema de gênero’, criando um assustador clima de suspense e tensão”. A forma escolhida pela dupla é a imagem difusa, borrada, o contraste entre o claro e o escuro, uma trilha sonora de ruídos marcando os pontos de maior agonia, assim como uma seqüência ágil de planos. Cumpre a missão de ilustrar a lenda que era popular no Brasil nos anos 70 [jovens atacados nos banheiros das escolas], assim como provar que é possível fazer um filme com clima de terror em apenas oito minutos.
Já os filmes de São Paulo propõem um olhar para a morte a partir da interioridade das casas e das famílias unidas que, diante da perda iminente de entes queridos, lutam para superá-la. O Lençol Branco é de uma morbidez raramente vista em curtas-metragens, fazendo uso de planos fixos, diálogos corriqueiros e silêncios que se contrapõem a uma ‘trilha sonora’ cuja origem está na onipresente TV e seus sons espectrais.
Se a música é silenciada neste curta, ela se torna o fio condutor da construção ficcional em Concerto Número 3. Vamos descobrindo, a partir da fragmentação temporal e dos pontos de vista das diferentes personagens de uma mesma família, o fim próximo da professora de piano, a mãe, detentora de uma força motriz primordial. Seguimos a ação através de uma câmera que espreita os espaços, passeia pelos silêncios e reconstrói a descoberta da morte eminente. Marcelo Ikeda bem define os dois filmes de Dutra: “(...) revelam uma ‘crise’, sempre furto da presença da morte, e se questionam até que ponto é possível ‘voltar à normalidade’, recuperar um antigo equilíbrio”. Dificilmente seremos os mesmos após o encontro com a morte, reveladora da fragilidade da vida diante do próprio mundo construído pelos homens.

Degas no Masp: universo em (re) integração

O movimento impressionista é um marco por ter trazido ao primeiro plano da arte o cotidiano do trabalho, das paisagens e do lazer das cidades francesas no fim do século 19. Edgar Degas é um desses artistas que soube olhar para microcosmos urbanos e construir uma trajetória ímpar através deles, fazendo uso das experiências de artistas do passado e daqueles que estavam ao seu lado – todos de olho na fragmentação das sociedades industriais – para revelar que o detalhe é parte indispensável do todo; que o “...tudo se copia” é apenas chavão para os criadores que não sabem assimilar influências de forma criativa.
A mostra Degas, o universo de um artista [em cartaz no Masp] é um retrospecto revelador das facetas de um pintor, escultor, desenhista, fotógrafo e colecionador, incorporado de forma indelével ao tempo em que vivera.
Das pinturas cujas bases estão no neo-classicismo até as esculturas em bronze de bailarinas exercitando-se [difícil esquecer das experiências fotográficas de Muybridge], circulamos entre corridas de cavalos, engomadeiras e alguns retratos; experiências fotografias quando o cinema já emergira no centro de Paris [1895] e a influência de Degas sobre os artistas do século 20 – como a série de desenhos eróticos ‘sonhados’ por Picasso. A jovem bailarina de 14 anos [foto], esculpida em suas formas simples e naturais, muito sintetiza do interesse do artista pelo humano e seus modos de estar nesse mundo cotidiano, onde nos alienamos mais e mais a cada dia, mas sentimos, contudo, a vida saltar quando a arte a nós se apresenta. Conhecer Degas é saber das fissuras do tempo.

quarta-feira, julho 19

uma boa festa...em bsb

" O saldo de uma festa séria deve computar pelo menos 300 pessoas na pista de dança, 1.800 latas de cerveja consumidas, 10 princípios de coma alcoólico (sendo que uns 2 devem ultrapassar o princípio e parar no hospital), 15 corpos caídos pela pista (3 deles pisoteados sem querer), 4 tombos feios (2 originados no palco e terminados na pista de dança), 1 porrada, 3 expulsões pelos seguranças, 2 inícios de namoro firme, 6 términos de namoro firme, 20 permanências superiores a 10 minutos no banheiro (com muitos socos na porta de quem está do lado de fora), 3 jumps de maus pagadores, 1 barraco de loura, 3 brigas de DJ com freqüentadores da sua própria festa, 5 cenas secretas que não poderiam ser presenciadas (por motivos variados) mas que 5 pessoas verão e comentarão com outras 50 no dia seguinte, 1 pau no sistema de som, 10 gritos de "fora, DJ". Festa que não atinja pelo menos 70% dessas metas não é "festa", é "coquetel", e até onde se saiba o Landscape não tem pretensão de abrigar vernissages, lançamentos de livro, recepções de casamento, formaturas. COISA DE FINAL é uma ode ao verdadeiro espírito de uma festa, ao sentido descendente do bom comportamento noturno".
COISA DE FINAL >>willy + clark + montana >>21/07 (sexta), 23h >>no Landscape (CA 7 Lago Norte)


terça-feira, julho 18

Selecta>>amanhã!!

Tintin cineclube apresenta <<>>
19.07 quarta 19h30 Cine-Teatro Lima Penante

MORRER TRÊS VEZES
apresentação de Zonda Bez

“Lençol Branco”, de Marco Dutra e Juliana Rojas [SP, 15min, fic, 2004]
A perturbadora presença da morte numa pequena casa do subúrbio [foto].

"Concerto número 3”, de Marco Dutra [SP, 13min, fic, 2004]
Mãe, pai, filho e coda.

“Menina de Algodão”, de Daniel Bandeira e Kleber Mendonça Filho [PE, 8min, fic, 2002]
A lenda da garotinha morta que aterrorizou estudantes nas escolas do Recife nos anos 70.

sexta-feira, julho 14

cineclubes avante!!

Cerca de 50 cineclubes brasileiros estão reunidos aqui em Santa Maria, RS [até hoje, com uma temperatura de 25º] para pensar sobre o papel deles no Brasil. Os cineclubes caminham a passos largos para a fortificação de espaços para exibição fora do circuito comercial e a formação de público. Temos sotaques diferentes; exibimos na rua, em salas, museus, mas o ideal da democracia audiovisual une a todos! Boas novidades devem vir por aí para todos: longa vida ao cineclubismo brasileiro e "viva o cinema latino-americano...".

terça-feira, julho 11

o rock [ainda] salvando...

Tintin Cineclube 12.7.06, quarta 19h30
Cine-Teatro Lima Penante Av. João Machado, 67 – Centro

SÓ O ROCK’N ROLL SALVA
*mostra especial em homenagem ao dia internacional do rock

“Tá sentindo cheiro de queimado?”, de Everaldo Pontes e Bertrand Lira [JP, 18min, doc, 1988]
O documentário traça um painel da cena embrionária do rock paraibano que já mostra indícios do que viria a ser a explosão do rock na década de 90.

“Rock em João Pessoa”, de Rodrigo Rocha [JP, 15min., Doc., 1995]
No inicio da década de 90, as bandas pessoenses flertam com diversos estilos do rock. Bandas como ‘Trinca cunhão HC’ surgem com um som pesado nos moldes do grunge de Seatle.

“Rock em João Pessoa – Opus II”, de Carlos Dowling [JP, 13min., Doc., 2000]
Dando prosseguimento a idéia de traçar um panorama do rock em João Pessoa, ‘Opus II’ capta a diversidade das bandas, que influenciadas por diversos estilos, incluindo a música eletrônica, consolidam a cena na cidade.

+ debate após a sessão >>> +info www.birilo.blogger.com.br

domingo, julho 9

Na dúvida...Não tenha dúvida! Star 61 no Media Player

A confusão da tal pós-modernidade também tem lá suas delícias: a banda Star 61 é um exemplo e tanto dessas idas e vindas na música e postura no mundinho nosso de todo dia! Vejamos: um vocalista que canta As Panteras na madrugada da Lagoa [Los Amigos], dá gritinhos estridentes balançando os penachos e as lantejoulas e, de hora pra outra, já revela um canto melancólico, antigo, na melhor tradição Morrissey. Às vezes, ele não sabe onde está nem quem é, tem crises existenciais [Fliperama] e tudo parece mesmo estremecer: só revendo e revivendo o mundo ou mandando tudo se... Ouvindo o cd demo, gravado ano passado, o clima (frio) de insatisfação com a existência, os (des) afetos cotidianos [Tanto Faz] e a própria condição material humana [Polegada Irada] dos tempos fragmentados, dentro e fora de nós, é latente e liquidificada em roquenrou intertextual. Vendo o show que circula pela cidade com a nova formação (sem a guitarra de Túlio e o baixo de Edy, mas com a guitarra de Fabiano e o baixo de Thiago: a apresentação de ontem foi genial!), assim como o público que indubitavelmente vai se juntar a eles onde for e quantas vezes forem necessárias, a Star 61 mostra que tudo está vivo e saltitante, mesmo quando os pedaços desse mundo de ''gente legal que dá atenção" parecem cair sobre nós - como uma parede descascando a tinta antiga. Mas, ainda bem, tem sempre um corpinho e alguns beijinhos pra aliviar a dor: muaw-muaw-muaaw!!! Mais, mais Star 61! >>> www.star61.cjb.net

sábado, julho 8

um [falso] haikai ao dia...

água das entranhas
filete percorre descalço
umidade relativa do eu.


Da exposição LOMOgrafia Portugal Fab Holga

9 autores>> a helga, câmera 100% plástico>> até 6 de agosto em Lisboa, PT>> Fábrica Features>> www.lomografiaportugal.com

segunda-feira, julho 3

o extravagante voador

05/07 quarta Cine-teatro Lima Penante 19h30 Entrada franca
O Homem extravagante ou as tribulações de um paraense que quase voou,
de Horácio Higuchi (Pará, 55 min, doc, 2003).
A história do primeiro brasileiro a projetar um balão aerostático capaz de voar contra o vento, segundo a vontade do homem. O documentário traz depoimentos de especialistas na figura do visionário paraense, reconstituições de época para ilustrar algumas passagens (meados do séc. XIX) e computação gráfica para retratar os modelos de balões visualizados pelo inventor. O filme não se detém, porém, no fato de Júlio Cezar não ter conseguido o seu intento: arrisca ainda uma situação conjectural em que, superadas as dificuldades, o sonho do paraense - e de toda a humanidade - teria se concretizado.

domingo, julho 2

quarta-feira, junho 28

Tapete vermelho para o matuto

O tema do matuto na cidade grande não é novidade no cinema brasileiro: em 1908, o curta-metragem Nhô Anastácio chegou de viagem, de Julio Ferrez, narrava a chegada de um tipo rural no Rio de Janeiro – suas andanças e confusões no espaço urbano da então capital federal – sendo considerado um dos primeiros filmes de ficção rodados no país. E lá se vão quase 100 anos até chegarmos a conhecer Quinzinho e seu mundo de roça, crenças e sinceridade em Tapete vermelho, de Luis Alberto Pereira (Brasil, 2006, 100 min.) – ainda em cartaz em João Pessoa.

Em um filme inesperadamente antiurbano, com personagens que enrolam a língua no sotaque 'típico' do interior paulista e cultuam tradições fora da mídia/moda (reza, viola e dança caipiras), ficamos sabendo da missão cinéfila de Quinzin: prometera ao pai, antes dele morrer, que levaria o neto para assistir a um filme de Mazzaropi no cinema da cidade. Como o aniversário do garoto se aproxima, a hora de cumprir a promessa também chega.


Saem então pai, mãe, filho, cavalo e farnel em busca de uma (inexistente) sala de cinema em pequenas cidades do interior onde estivesse passando um (impossível) filme do comediante que consagrou o estilo ‘jeca de ser’ no nosso cinema em mais de 30 fitas. Já não há cinemas nas ruas (novas religiões parecem ocupar a maioria dos antigos templos da sétima arte) e Mazzaropi tornou-se apenas um nome a mais na memória do brasileiro que envelhece, podendo ser conhecido pelas novas gerações apenas em DVD. A televisão chegou para substituir os hábitos da sala escura: no lugar do silêncio e da concentração reina a dispersão confusa na sala de estar de todo dia. Nosso herói, contudo, não quer saber disso, e sua missão a cumprir colocará a jovem família em risco até o final um tanto quanto (im) previsto.

O realizador se utiliza do interesse do matuto pelo cinema como motor para apresentar personagens em situações que misturam lances de comédia rural, filme que cultua o próprio cinema e drama urbano, tudo num enredo só.
Sem ser totalmente enfadonho, graças à atuação farsesca e respeitosa de Matheus Nachtergaele na pele de Quinzinho e de Gorete Milagres no da esposa indecisa entre viver o campo com o marido ou a cidade na solidão, Tapete vermelho escorrega por algumas más atuações, especialmente de coadjuvantes; uma impregnação de fé católica redentora – uma versão de Pagador de promessas à paulista? – e uma discussão superficial sobre a questão agrária no país através de ações que envolvem ficcionalmente o Movimento Sem Terra.

Mas a história está lá, contada aos moldes clássicos do começo ao fim, e acompanhá-la acaba por se tornar um programa tão inesperado quanto realmente assistir, nos dias de hoje, a um filme de Mazzaropi num cinema de shopping center da cidade.

Zonda Bez

segunda-feira, junho 26

vá nos trajes


"Depois de aposentado, o Agente 1880 descobre que a Agência para qual trabalhava havia sido traída e que os traidores estão à procura de um objeto com o poder de controlar mentes, podendo causar ilusões e enlouquecer
as pessoas. A partir daí David Reynolds, o agente 1880, vai em busca de vingança e de encontrar o objeto em uma casa misteriosa."

"...Andrhey tinha 14 anos quando dirigiu, interpretou todos os personagens em cena, editou e fez os efeitos especiais para as cenas de explosões e tiro." >>Debate com ele após a sessão.

+ 5ª Quadrilha Punk “porque punk que é punk afoga a mãe no tanque”
Discotecagem com Nazareno e Carlos Dowling e bar em pleno funcionamento.