segunda-feira, março 23

Dançando do lado de fora

O que fazer quando você só quer 1/3 de algo mas para isso, é preciso consumir 100% do produto? Esse era o drama na noite de ontem (22), com o esperado e sempre mítico show do Kraftwerk em São Paulo. Sem interesse particular pelo som de Los Hermanos ou do festejado Radiohead, minha meta era o meio do concerto - nem o concerto ao meio!
Ao contrário do que rezou a lenda nas apresentações de Madonna no ano passado no Brasil, os ingressos de ontem não estavam sendo vendidos a preço de banana na porta da Chácara do Jôquei. Os cambistas queriam era comprar ingressos dos passantes pra revender!
O valor original de R$ 200 chegou a R$ 250 (meio salário mínimo?) nas ruas em torno ao local do show, frustrando os interessados de última hora em faturar com a 'xepa'.
Mas eis que...Caminhando por uma rua lateral ouvi os primeiros blips-plumps-zuns do Kraftwerk. Dava pra ouvir muito bem ali, até pra arrepiar. Pechinchar? Entra na fila? Não tive dúvida: estanquei ali mesmo.

[os cachorros da escola de formação canina começam a latir muito. mudo de lugar na calçada].

As músicas, todas já ouvidas e remoidas por anos, tem aquele gosto de eletronika sempre-viva, sobrevivente às várias revoluções geracionais. Pocket Calculator, Radio Activity, The Man-Machine, We Are the Robots...Todos os hits. Conseguia ouvir a platéia e seus aplausos. Mas nada muito caloroso por parte dos alemães. Também, esperar o que de homens-binários?

[um japonês com cara de quem bebia desde cedo começa a dançar no meio da rua.
Do outro lado, um casal de namorados dá um amasso à sombra longilínea do poste na calçada].

Então eles falam com o público, os gritos finais e entra um som ambiente-dub. Hora de partir. Os amigos que estavam lá dentro falaram da "frieza" e os comentários pela internet dão conta de melhores shows do quarteto, enquanto a imprensa colocou o Radiohead no lugar de destaque. E eu fiquei com a sonoridade da esquina e a viva certeza que a música ainda ecoa livre pelo ar.


2 comentários:

Roberta AR disse...

Vi que você linkou o meu twitter, que, por algum motivo tirou o comentário do show do Kraftwerk do ar. Eu realmente achei melhor o show que vi em BSB, mas nem por isso deixei de morrer de inveja de quem foi no de ontem. Mas o show de Brasília foi só com eles e durou quase três horas (além de ter a presença dos dois fundadores, Florian Schneider não veio nesta). É sempre emocionante(!) ver aqueles robozinhos no palco.
bj

Alinhada // Caroline Monteiro disse...

amigo, arrasou na descrição da atmosfera de sua tentativa... senti como se estivesse lá tentando entrar com vc e aí pensei que a gente teria tomado umas várias latinhas e dado risadas das situações de entorno! ;)
beijos saudosos mon bien!